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Capa do romance Casamento de Gelo

Casamento de Gelo

Mia enfrenta um grande desafio ao entrar em um casamento de conveniência com Elijah, um homem de coração frio. Entre segredos revelados e reviravoltas intensas, ela tenta derreter o gelo que o protege e ensiná-lo a amar novamente. Em meio a sentimentos contraditórios e uma paixão ardente, resta saber se a relação evoluirá para algo real ou se permanecerá apenas um acordo de interesses. Uma jornada emocional profunda onde o tempo ditará o destino final.
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Capítulo 2

CAPÍTULO 2

Hotel Bettencourt

Os Bettencourt são uma família abastada, têm uma rede de hotéis de luxo em todo o mundo, mas a sede, o Hotel principal e o mais antigo, está situado no coração de Seattle.

Foi o primeiro a ser aberto, e por isso, Steven Bettencourt tem um carinho especial por este edifício, por estas paredes.

Batem na porta do seu escritório, que fica situado no piso da receção do hotel.

— Sim!

Abrem a porta, é o seu filho, o seu único filho e herdeiro de tudo.

— Chamaste? — pergunta.

— Sim, entra.

Elijah senta-se na confortável cadeira de couro castanha que está do lado oposto ao seu pai.

Steven chega-se para a frente, e apoia os braços na mesa de vidro de cor preta fosca.

— Elijah, precisamos de falar sobre um assunto sério?

— Mas está tudo bem pai? — Pergunta preocupado.

— Comigo está! E contigo?

Elijah estranha aquela pergunta.

— Comigo? Comigo também, mas porque perguntas?

— Elijah, tu já tens trinta e dois anos. — Levanta-se da sua cadeira, coloca os braços para trás das costas e anda de um lado para o outro — Tenho visto que te divertes muito, com muitas mulheres, para mim até acho que são mulheres a mais, mas enfim. Mas o que me preocupa, é a tua falta de vontade de arranjar uma boa garota, uma mulher a sério.

O filho o interrompe bruscamente.

— Eu não quero, nem preciso de uma boa garota, nem uma mulher a sério, isso é, se isso existe. — Fala amargurado.

— Todo o homem precisa de uma boa mulher ao seu lado, que se torne uma excelente esposa, uma ótima mãe para os seus filhos.

— Eu não quero nada disso pai, não quero uma mulher, muito menos uma esposa e Deus me livre de filhos! — Diz ao levantar-se desconfortável com o rumo da conversa.

O pai suspira.

— Eu não estou a ir para novo, filho, e vou precisar que tu um dia agarres no teu legado, com unhas e dentes.

— Sim, eu sei, mas eu vou fazer isso, continuar a trabalhar duro, pelo meu legado.

O pai volta a sentar-se, coloca os cotovelos em cima dos braços da sua cadeira e parece estar a pensar.

"Vem aí merda" — Pensou Elijah ao olhar para o pai, conhecia-o bem demais e sabia que ele estava a pensar como dizer qualquer coisa, que Elijah já sabia que não ia gostar.

— Então recapitulando, — ele começa — tu não pensas sequer na hipótese de formar uma família!

— Eu já tenho uma família, tu e a mãe.

— Hum, sim, sei.

Steven chega-se para a frente na sua secretária, e puxa uma pasta verde.

Abre a pasta, que tem várias folhas lá dentro.

— Sabes o que é isto? — Ele pergunta.

— E como haveria de saber? — diz desconfiado.

— Isto, meu filho, é o meu testamento, aliás, dois.

Elijah torceu o nariz, pensando porque raio o pai estaria a falar do testamento e porque seriam afinal dois testamentos! Pessoas ditas normais, fazem um testamento, não dois!

— Sim, e então? — perguntou, não mostrando a estranheza do facto.

— E então, — continuou — um deles tem escrito, que tudo o que é meu, todo o meu império, toda a minha fortuna, será unicamente tudo para ti, e não é na minha morte, mas sim exatamente daqui a seis meses.

— Daqui a seis meses?? — perguntou preocupado — Mas porquê daqui a seis meses?

— Eu e a tua mãe queremos viajar. Por conta de construir tudo o que temos, tenho perfeita noção que não dei a atenção que a tua mãe sempre mereceu, então vou dar agora, temos o nosso filho criado, um bom homem, e que já está mais que na altura de passar tudo para ti. Temos muito dinheiro guardado, bens e imóveis só meus e da tua mãe, que na nossa morte é óbvio que passará também para ti.

— Ok, então, acho que fazem muito bem. — Ele diz não entendendo muito bem o porquê daquela conversa toda.

Mas o pai ainda não tinha acabado e a bomba ia estourar agorinha.

— Mas, este outro testamento, — aponta para a outra pilha de papéis — tu ficas sem o direito a mexer em nada.

Elijah se espanta com o que o pai acabou de falar.

— Mas porquê, pai, o que foi que eu fiz? — Ele pergunta surpreso.

— Nada, e o problema é mesmo esse. — diz calmo.

Elijah estreita os olhos, não está a entender onde o pai quer chegar.

— Tens seis meses para me mostrares que realmente queres, o que é teu por direito.

— Pai, isso não faz sentido nenhum, — ele diz surpreso com todo este assunto sem pés nem cabeça — o que tu queres que eu te mostre?

— Quero que me mostres que realmente és um homem com família e responsabilidade, não vou dar a minha fortuna que me custou tanto a construir, a um playboy que só quer andar por aí a montar as mulheres todas. — Fala agora exasperado.

Ele fica pasmo, com o que o pai acabou de lhe dizer.

— Eu, um playboy?

— Sim tu. Um playboy, que tem que tomar juízo, já tens mais que idade suficiente para tomares responsabilidade.

Elijah fica fodido, mas prefere não dizer nada que se arrependa depois.

— Então e diz-me, — diz chateado — e como queres que te mostre isso?

O pai diz de uma vez só.

— Casa-te.

O Compromisso

Narrado por Mia

Acordo com o som do meu telemóvel a tocar, olho para o ecrã e reviro os olhos.

Que quererá a minha mãe?? Ela sabe que saí hoje cedo!

— Sim, mãe! — atendo muito a contragosto.

— Bom dia, Mia, onde estás? — ela pergunta.

Onde estou??? Ela só pode estar de brincadeira.

— Mãe, saí do hospital às oito da manhã.

— Há, pois, foi, desculpa esqueci-me.

Reviro os olhos, que paciência.

— Não faz mal, vou continuar a descansar então. — Digo finalizando a conversa.

— Mia, tu não te esqueceste do nosso compromisso hoje à tarde, pois não?

Afinal a conversa ainda não foi finalizada, afff.

— Que compromisso? — não lembro de merda nenhuma de compromisso.

— A prova dos vestidos, Mia, como podes te ter esquecido? A tua irmã fica furiosa quando te esqueces dos compromissos que tens com ela. — Ela diz chateada.

Suspiro, que porra, já me tinha esquecido mesmo da porcaria da prova.

— Não precisas de lhe dizer, não me apetece nada ter que levar com uma aula de moral, ok.

— Ok, até logo então.

— Até logo, mãe.

— Porcaria de prova. — resmungo — Era só o que me faltava.

Tinha também uma mensagem da minha amiga Jenny.

"Quando puderes liga-me, amiga"

Olho para as horas meio dia e quarenta, ótimo, que bom, maravilha, não descansei porra nenhuma.

Já lhe ligo.

Decido ir tomar um bom banho e almoçar antes de ir, não me posso atrasar, senão tenho que ouvir a senhora professora de Português e Matemática toda a tarde.

A minha irmã quando quer, é uma chata de primeira.

Tomo o meu banho, visto uns jeans de ganga clara e uma blusa creme, e por cima um casaco preto e tênis pretos.

Continua a chover, o bom e velho tempo que se faz quase sempre em Seattle.

Preparo uma salada e ligo então à Jenny.

Ela atende ao terceiro toque.

— Mia! — está entusiasmada, demais da conta.

Sorrio com isso.

— Tu não sabes o babado que aqui houve menina! — Ela continua.

— Então? O que se passou? — pergunto curiosa.

— Imagina quem apareceu aqui nas urgências com o nariz partido!

PUTA QUE PARIU, nunca mais me lembrei daquele desgraçado, embora a minha mão ainda me doa, kkk.

— Santo Deus, aquele filho da puta foi para aí??

— Caraca, então foste mesmo tu que lhe deste um murro?? — Ela começa a gargalhar alto.

— Fui, ele me chamou de vagabunda, já viste, o bicho tá doido, eu hein. Já aturei muita merda desse bofe, não aturo mais não.

Jenny não para de rir.

— Ele disse raios e coriscos de ti, só não te chamou santa e disse que estavas acompanhada pelo teu amante, e aí eu pensei cá para os meus botões, amante??? Quem é a figura que eu não sei de nada?

— Amante! É mesmo uma anta aquele atrasado mental. — Digo irritada.

Conto então à Jenny o que realmente aconteceu.

— Que bom samaritano. E era bonito ao menos? — ela pergunta toda atrevida.

Eu paro para pensar e…

— Olha, depois falamos, tenho que ir ter com a Emily, e sabes como ela é quando nos atrasamos.

— Oh sim, lições a esta hora não ahahah. Mas não penses que me vou esquecer desta conversa.

Depois de desligar, fico a pensar no que ela perguntou.

É, o homem tinha cabelo escuro todo bagunçado, que lhe dava um ar muito sexy, uns olhos azuis que parecia que eu estava a olhar para o oceano, uma postura implacável, uma presença avassaladora, o bofe era bonito, ah caralho, bonito não, lindo de morrer.

Eu não estava precisando de ajuda, deu para ver não é, mas mesmo assim, o simples facto de ele lá ter ido tentar salvar a donzela em apuros, caiu bem aqui no meu goto.

Deixo este pensamento para lá, do gostoso do café e vou embora, senão Emily me mata.