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Capa do romance Dezoito Chamadas e Um Adeus

Dezoito Chamadas e Um Adeus

Após perder o filho que viveu apenas sete horas, recebo a conta do hospital e a lembrança cruel de um incêndio. Grávida, liguei dezoito vezes para meu marido, Miguel, mas ele me ignorou para acudir um leve ferimento de sua irmã, Sofia. Rotulada como dramática por ele e pelo sogro ao pedir o divórcio, decido agir. Com o registro das chamadas e o luto como força, busco justiça contra a negligência de quem deveria me proteger. A luta contra a manipulação começou.
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Capítulo 1

A conta do hospital chegou numa terça-feira, o peso da fatura final para o meu filho, Leo, que viveu apenas sete horas.

A dor era avassaladora, mas a visão daquele envelope disparou uma lembrança gélida.

O incêndio. A fumaça preta e espessa. Eu, grávida de oito meses, presa no sexto andar do nosso prédio.

Liguei para o meu marido, Miguel, repetidamente, dezoito vezes, em pânico total.

Quando ele finalmente atendeu, sua voz era irritada, distante: "Estou ocupado."

E então ouvi a voz chorosa da sua meia-irmã, Sofia, por um tornozelo torcido.

Miguel desligou, apressando-se para cuidar dela, justificando o abandono.

Ele escolheu o tornozelo torcido dela em vez da vida do nosso filho e da minha.

Quando pedi o divórcio, ele e o sogro me chamaram de "dramática" e "emocional".

Eles pediam compaixão pela "frágil" Sofia, que manipulava a todos.

A minha compaixão morreu naquele incêndio, junto com o meu filho.

Mas a verdade estava nas minhas mãos.

A cópia da conta. E o registo daquelas chamadas, uma prova irrefutável da sua escolha.

Com a minha mãe ao meu lado, decidi: não mais vítima.

Eu não estava louca, estava apenas a começar a lutar.

Era hora de acertar as contas.