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Capa do romance Não Mais a Vítima

Não Mais a Vítima

Grávida de oito meses, sofri um grave acidente. Em vez de me salvar, meu marido Marcos priorizou Lúcia, sua amiga, que tinha apenas um arranhão. Perdi meu bebê em meio ao desprezo dele, que ainda me rotulou de histérica. Ao descobrir que ele financiava Lúcia e me via como um estorvo temporário para o romance deles, minha dor virou fúria. Não serei mais uma vítima; vou expor cada traição e garantir que eles paguem por todo o sofrimento que me causaram.
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Capítulo 3

No hospital, o mundo era branco e cheirava a desinfetante.

A cara do médico era séria. As suas palavras eram diretas, sem rodeios.

"Lamento, Sofia. O trauma do acidente foi demasiado forte. O seu corpo entrou em trabalho de parto prematuro. Perdemos o bebé."

Eu não chorei. As lágrimas não vinham. Apenas um vazio imenso, frio, instalou-se no meu peito.

A minha mãe, Helena, chegou pouco depois. Os seus olhos estavam vermelhos. Ela abraçou-me, e o seu corpo tremia com soluços silenciosos.

Eu continuei a olhar para a parede branca.

Horas mais tarde, Marcos apareceu.

Ele não veio sozinho. Lúcia estava com ele, com um pequeno penso na testa. Ao lado deles, estava o pai dela, Ricardo, o mentor e chefe de Marcos.

A cara de Marcos era uma máscara de irritação.

"Sofia, que raio de drama foi este? Chamar uma segunda ambulância? Fizeste uma cena!"

A minha mãe levantou-se. "Uma cena? A tua mulher perdeu o vosso filho, Marcos! Onde é que tu estavas?"

"Eu estava a ajudar a Lúcia! Ela estava em choque, magoada!"

Lúcia começou a chorar. "A culpa é minha. Eu não devia ter vindo convosco. Sofia, desculpa..."

Ricardo pôs um braço protetor à volta dos ombros da filha.

"Não peças desculpa, querida. Não foi culpa tua. Sofia, tens de entender. Marcos fez o que qualquer pessoa decente faria, ajudou quem precisava mais."

Quem precisava mais? Um arranhão na testa contra uma hemorragia que me roubou o meu filho?

Olhei para Marcos. Pela primeira vez, vi-o com clareza. Não o homem com quem casei, mas um estranho.

"O bebé morreu, Marcos." A minha voz estava morta, sem emoção.

Ele vacilou por um segundo. Apenas um segundo.

Depois, a sua cara endureceu de novo. "Eu sei. É uma tragédia. Mas acidentes acontecem. Tu estavas a conduzir depressa demais."

A culpa. Ele estava a colocar a culpa em mim.

"Saiam." Eu disse, a minha voz baixa mas firme.

"Sofia..." começou Marcos.

"Eu disse para saírem. Todos vocês. Fora do meu quarto."

A minha mãe ficou ao meu lado, uma leoa a proteger a sua cria.

Ricardo olhou para mim com desprezo. "Vamos embora. Ela está histérica. Quando te acalmares e fores razoável, falamos."

Eles saíram. Marcos nem sequer olhou para trás.

Fechei os olhos. O vazio no meu peito tinha agora um nome. Chamava-se liberdade.

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