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Capa do romance O Despertar de Sofia

O Despertar de Sofia

Sofia vivia um sonho com Miguel e o filho Leo, até uma emergência médica revelar uma face sombria. Quando Leo sofre um choque anafilático, Miguel ignora o socorro para atender a irmã, Clara. Entre acusações da sogra e a frieza do marido, Sofia descobre que o médico sustenta o luxo de Clara com as finanças da família. Diante da traição e negligência, ela abandona a dor para planejar uma vingança implacável que destruirá a reputação do herói de fachada.
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Capítulo 2

O rosto do meu filho Leo estava a inchar.

Os seus lábios, antes rosados, estavam agora roxos e inchados, e a sua respiração saía em silvos agudos e aterrorizantes.

Ele tinha apenas cinco anos.

Peguei no telefone, as minhas mãos tremiam tanto que mal conseguia marcar o número do meu marido, Miguel. Ele era médico no hospital central, a pessoa que eu mais precisava naquele momento.

A chamada foi atendida ao terceiro toque.

"O que foi, Sofia? Estou ocupado."

A sua voz era cortante, cheia de impaciência.

"Miguel, é o Leo! Ele não consegue respirar! Comeu um bolo na festa da escola, acho que tinha nozes. Ele é alérgico!"

O pânico engasgava-me a voz.

Houve um silêncio do outro lado, seguido de um suspiro irritado.

"Já lhe deste o anti-histamínico?"

"Sim, mas não está a resultar! Ele está a piorar, Miguel! Por favor, vem para casa! Ou encontra-nos no hospital!"

"Não posso agora," disse ele, a sua voz fria como gelo. "A Clara torceu o tornozelo a descer as escadas. Estou a caminho da casa dela para ver se é grave."

Clara. A sua irmã mais nova.

"O quê? Uma torção no tornozelo? Miguel, o nosso filho não consegue respirar! Ele pode morrer!"

Eu estava a gritar agora, o desespero a tomar conta de mim.

"Não sejas dramática, Sofia. Leva-o tu mesma ao hospital de urgência. Fica a dez minutos de casa. Liga-me quando chegares lá."

E antes que eu pudesse dizer mais alguma coisa, ele desligou.

O som da chamada terminada ecoou no silêncio do meu pânico. Olhei para o meu filho, o seu peito a subir e a descer com um esforço terrível.

Não havia tempo para chorar. Não havia tempo para sentir a traição.

Peguei no Leo ao colo, agarrei nas chaves do carro e corri para fora de casa.

Eu estava sozinha nisto.