Capa do romance O DUQUE DE BLACKMOOR

O DUQUE DE BLACKMOOR

9.6 / 10.0
Em O DUQUE DE BLACKMOOR, Helena busca refúgio no castelo de um nobre frio após perder tudo. Este romance recheado de mistério explora segredos fatais e uma atração proibida. Descubra esta história intensa ao ler livros online grátis e mergulhe em um dos melhores mystery novels atuais.
Resumo de O DUQUE DE BLACKMOOR
O Duque de BlackMoor vive isolado desde a trágica morte de sua esposa, escondendo-se sob frieza e boatos sombrios. Helena, após perder tudo, é acolhida pelo nobre em sua enigmática propriedade. No silêncio da mansão, surge uma atração proibida e carregada de culpa. Contudo, segredos enterrados ameaçam ressurgir, forçando-a a enfrentar verdades perigosas. Quando o passado exige seu preço, ela deve descobrir se o amor resiste ao que deveria ficar oculto.
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O DUQUE DE BLACKMOOR Capítulo 1

A notícia não viera com gritos. Chegara baixa, respeitosa, como se até a tragédia soubesse que precisava se curvar diante do nome que ele carregara em vida. O chanceler estava morto. Encontrado sozinho, em um quarto fechado, com cartas rasgadas sobre a escrivaninha e uma decisão irrevogável gravada no próprio destino.

Não surpotou sustentar o peso das próprias escolhas. Ninguém sabia ao certo por quanto tempo ocultou da esposa sobre o lhe atormentava, mas certamente tornou-se assunto entre os mais importantes de Saint German.

Por trás da postura firme e das decisões calculadas, havia um homem em ruínas, consumido por um silêncio que ninguém soube ouvir a tempo. Sua ausência não foi anunciada por palavras, mas pelo vazio que deixou - um vazio que ecoou nos corredores do poder e nas memórias daqueles que acreditaram conhecê-lo.

O que restou foi a sensação amarga de que algumas dores se escondem tão bem que só se revelam quando já não há retorno.

Ela soube antes do amanhecer, quando o céu ainda hesitava entre a noite e o dia. Não chorou de imediato. Sentou-se à beira da cama, as mãos entrelaçadas no colo, sentindo o peso de um mundo que desabava em silêncio. O homem que fora seu marido - respeitado, elegante, influente - escondia por trás dos discursos impecáveis um vício antigo: as apostas, os jogos de risco, as promessas feitas à sorte como quem implora por redenção.

E perdera tudo.

Cada moeda. Cada propriedade. Cada favor político conquistado ao longo dos anos, os títulos como Chanceler, exatamente tudo. Exceto o filho que fora gerado no ventre de Helena. E justamente naquele dia, seria o dia em que ela lhe daria a notícia, após os exames feitos na Capital. Talvez se tivesse dito a tempo, quem sabe ele não tomaria a decisão que havia tomado, pensei Helena.

As dívidas haviam crescido como uma sombra, avançando até não restar saída. Ele escolhera a morte como quem fecha uma porta com cuidado, acreditando poupar o nome... e talvez poupá-la. Preferiu aguentar as consequências sozinho ao seu modo, porém foi Helena que teve que juntar os destroços deixados e buscar forças para seguir adiante....sozinha.

No dia do funeral, vestia-se de preto da cabeça aos pés. O vestido era simples, mas impecável. O chapéu antigo escondia parte do rosto, e os longos cabelos ruivos escapavam discretamente, desafiando o luto com sua cor viva, como cascatas douradas que desviam pelo seu rosto.

Homens de cartola, mulheres envoltas em tecidos caros e julgamentos silenciosos. Representantes de uma sociedade à qual ela nunca pertencera de verdade. Eles sabiam. Sempre souberam. A jovem ruiva vinda de uma origem modesta, escolhida por um homem poderoso contra as convenções, nunca fora plenamente aceita. Não vinha de famílias importantes, no entanto nunca deixou se abater pelos olhares tortos das elegantes senhoras daquela sociedade.

Agora, sem ele, tornara-se apenas uma lembrança inconveniente.

Ainda assim, respeitavam-na.

Não por ela - mas pelo chanceler que fora seu marido. Pelo nome que ainda ecoava entre os túmulos, forte o bastante para conter o desprezo, ao menos por algumas horas.

Ela permaneceu silenciosa, quieta durante toda a cerimônia. Não se apoiou em ninguém. Não vacilou quando o caixão desceu à terra. Cada gesto seu era observado, medido, comentado em murmúrios contidos. Esperavam vê-la quebrar-se, desesperar-se. Esperavam um sinal de fraqueza que confirmasse o que sempre pensaram, ou simplesmente para rirem de sua desgraça, viúva e falida.

Mas Helena não lhes deu esse prazer.

Somente quando o último discurso terminou e as pessoas começaram a se dispersar, a verdade se acomodou por inteiro em seu peito: não havia herança, não havia proteção, não havia futuro garantido. Nem ao menos pode retirar suas jóias, valores, nada. Apenas a roupa que vestia seu corpo no funeral.

A chuva começou a cair.

Fria, constante, como se o céu também soubesse que não havia mais nada a ser dito.

Ela permaneceu diante do túmulo, sozinha, enquanto os passos se afastavam. Sentia-se desolada, sim - mas algo dentro dela se mantinha firme. Talvez orgulho. Talvez instinto de sobrevivência.

Ou talvez a certeza silenciosa de que aquele não era o fim, agora mais do que nunca precisaria ser forte por aquela criança.

Mas ela não estava só, alguém, à distância, observava.

E quando o céu desabou em tempestade, o peso do seu espírito abatido cedeu com a roupa encharcada.

Ela não reagia. Sabia que decisões teriam que serem tomadas mas permanecía ali sobre seu túmulo como se esperasse despertar e que tudo aquilo fosse um pesadelo, um sonho ruim ao qual ela acabava de despertar.

O luto a esvaziara de tal forma que o mundo parecia distante, irrelevante. O corpo permanecia de pé, mas a alma... a alma já havia sido enterrada, junto ao Chanceler Eduard.

Os joelhos enfraqueceram, e ela se deixou cair sobre a terra encharcada, sem força para resistir, sem vontade de se levantar. Como quem se rende à sua própria dor, sem resistência.

Então, ele se aproximou.

Não disse seu nome. Não ofereceu palavras vazias. Apenas estendeu-lhe a mão.

Helena ergueu o rosto lentamente. Os olhos estavam molhados - não se sabia dizer se pela chuva ou pelas lágrimas que já não fazia questão de conter. Por um instante, pensou recusar. Mas não havia mais forças dentro dela.

Ele a ajudou a se levantar com um cuidado silencioso, quase solene, como se compreendesse a fragilidade daquele momento sem precisar ouvi-la confessar. Em silêncio, conduziu-a até a carruagem que aguardava à distância, as lanternas tremulando sob a tempestade.

Ela não perguntou quem ele era.

Não perguntou para onde iriam.

Seguiu-o como quem já não pertence a lugar algum. Tão pouco ele fez questão de se apresentar naquele lugar apenas a conduziu para que se sentasse

Sentada na carruagem, sentia o balanço do caminho enquanto a chuva batia contra as janelas. Estava presente apenas em forma. O corpo seguia, obediente. Mas a alma permanecia distante, perdida em algum ponto entre o túmulo recém-fechado e tudo o que deixara de existir.

Seu abatimento era eminente, talvez não fosse mesmo momento de explicações ou qualquer diálogo, momento apenas de silenciar enquanto iam atravessando os bosques escuros e tristes, como aquele dia em sua vida. Na carruagem a viúva do Chanceler Eduard, e um homem envolto em seus silêncio e seus próprios segredos um dos quais, Helena não imagina estar.

A sensação de nunca mais ver Eduard, era indiscretivel. Nunca mais o seu sorriso, nunca mais as tardes de chá e risos junto à biblioteca, agora apenas restarab solidário e incertezas.

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