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Capa do romance Quando o Amor Não É Suficiente

Quando o Amor Não É Suficiente

Clara desperta no hospital após um grave acidente, aliviada por salvar seu bebê. Contudo, seu marido Pedro a abandona na recuperação ao saber que Sofia, a meia-irmã dela, tentou o suicídio. Após três dias de ausência e negligência, Clara recebe alta sozinha, enfrentando a pressão familiar para ser forte e compreensiva. Cansada de ser a segunda opção enquanto Pedro prioriza crises alheias, ela decide que nem ela nem seu filho aceitarão menos do que merecem.
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Capítulo 1

Acabei de acordar no hospital.

O cheiro a desinfetante, o corpo pesado, mas o alívio era imenso.

O meu bebé, o nosso pequeno milagre, estava seguro depois de um acidente de carro terrível.

A cirurgia para salvá-lo tinha sido um sucesso.

O Pedro, o meu marido, estava ao meu lado, as mãos dadas, partilhando o meu alívio.

Mas então, o telemóvel dele tocou.

A minha meia-irmã, Sofia, tinha tentado suicidar-se.

Num piscar de olhos, o Pedro largou a minha mão, largou a mim, recém-operada e ainda em choque.

Ele correu para ela, deixando-me para trás, sozinha, no leito hospitalar.

Três dias se passaram, e ele não voltou.

As suas desculpas eram vagas: "A Sofia ainda precisa de mim. Ela só fala comigo."

Fui buscar alta em táxi, porque ele não apareceu.

Ele estava a acalmá-la do pânico por um acidente hipotético, enquanto eu tinha vivido um real.

Senti-me a diminuir, a tornar-me insignificante.

"Ele é o meu marido", disse à minha mãe, "devia estar aqui!"

Até o meu padrasto me ligou, repreendendo-me por não ser "compreensiva".

"Tu és forte", disse ele. "Tu aguentas."

"Então eu não mereço compaixão?", sussurrei.

Essa "força" era uma prisão.

Mas eu não ia deixar o meu filho ser a segunda escolha de ninguém.

Eu, Clara, tinha acabado de sair do hospital depois de quase perder a minha vida e a do meu filho, e ele escolheu a irmã.

A ironia era amarga.

Agora, era a minha vez de escolher. E era hora de lutar.