Capa do romance Sempre foi Você

Sempre foi Você

9.6 / 10.0
Em Sempre foi Você, Yuna é a herdeira de um império na mafia protegida por Ethan, o Ceifador. Sob nova identidade, ele deve guardá-la em uma missão de sobrevivência. Leia este romance novel repleto de ação e descubra se a lealdade vencerá o desejo nesta envolvente web novel.
Resumo de Sempre foi Você
No submundo de Tóquio, Yuna Takayama vive sob a proteção de Ethan, o Ceifador. Desde a infância, após uma tragédia familiar, ele jurou defendê-la em segredo. Quando uma nova ameaça surge ao completara dezoito anos, ela é enviada aos Estados Unidos. Ethan a acompanha sob um disfarce, atuando como seu professor. Entre o dever e uma paixão proibida, Yuna desconhece que seu mestre e o anjo de seu passado são a mesma pessoa, enquanto lutam contra um desejo perigoso.
Ler Mais

Sempre foi Você Capítulo 1

O Ceifador

O templo diante de mim não era feito apenas de pedra, pois carregava em cada coluna antiga o peso de séculos de silêncio, de sangue e de segredos que jamais seriam ditos em voz alta, enquanto o céu cinzento pairava sobre nós como um presságio inevitável de que nada do que começasse ali sairia ileso.

Kenshi Takayama e Hanna Takayama.

Os nomes ecoavam dentro de mim com a precisão fria de uma lâmina sendo puxada lentamente da bainha, despertando não apenas lembranças, mas tudo aquilo que eu havia me tornado por causa deles.

Meu mestre e minha quase mãe.

As duas pessoas que encontraram um garoto quebrado, vazio e sem propósito, e decidiram moldá-lo, não em um homem, mas em algo útil, algo funcional, algo que pudesse servir.

Agora, tudo o que restava deles eram urnas.

Cinzas repousando sobre seda vermelha, como se a honra pudesse ser preservada mesmo depois de reduzida a pó, e ainda assim, apesar do cenário que exigia luto, meu peito permanecia rígido, incapaz de ceder ao que seria esperado de qualquer outro.

Eu deveria chorar, porque um homem comum choraria, um filho se permitiria desabar diante da perda, mas eu havia deixado de ser qualquer uma dessas coisas no dia em que encontrei os corpos dos meus pais abandonados em uma viela escura, mutilados de uma forma que o mundo nunca deveria permitir, enquanto o cheiro metálico do sangue se impregnava na minha garganta e o medo se tornava algo físico, quase palpável.

E foi naquele mesmo dia que deixei de ser filho, porque quando Kenshi me encontrou, ele não enxergou uma criança ferida, nem um menino que precisava ser salvo, mas sim uma ferramenta em potencial, algo que poderia ser lapidado, endurecido e, acima de tudo, utilizado.

Ele me deu abrigo, alimento, disciplina e propósito, mas em troca, arrancou de mim qualquer traço de fragilidade que pudesse comprometer aquilo que ele estava construindo.

E, inevitavelmente, o coração entrou nessa conta.

A voz do general ecoou pelo pátio com uma firmeza que não permitia interrupções, cortando o ar como uma sentença irrevogável, enquanto ele proclamava que aqueles nomes deveriam ser lembrados com honra, e suas palavras atravessavam o espaço não como consolo, mas como decretos que precisavam ser aceitos sem questionamento.

Ao redor, os anciãos permaneciam ajoelhados, os jovens guerreiros alinhados em silêncio absoluto, com os punhos cerrados e os olhos baixos, porque naquele lugar a dor não era demonstrada, ela era contida, transformada em disciplina, convertida em juramento.

Ninguém chorava, ninguém tremia, ninguém ousava perder o controle, porque naquela família a fraqueza não era tolerada, e quem desabava não era acolhido, era enterrado junto.

Eu permaneci imóvel entre eles, com a yukata negra absorvendo a pouca luz que insistia em atravessar aquele ambiente pesado, sem qualquer símbolo bordado no tecido, sem brasão que me identificasse, porque eu não precisava disso.

Meu reconhecimento não vinha de insígnias, mas do silêncio que me cercava, da ausência de necessidade de afirmação, porque quando alguém não precisa exibir poder, geralmente é porque já aprendeu a dominar tudo ao redor.

E, ainda assim, havia uma ironia silenciosa nisso, pois eu não dominava absolutamente nada, apenas havia aprendido a parecer como alguém que dominava.

Meus cabelos loiros, destoando completamente daquele mundo, estavam presos com precisão em um coque firme, lembrando-me constantemente de que eu não pertencia àquele lugar, nem pelo sangue, nem pela cultura, nem pela história, e mesmo assim, de alguma forma cruel, minhas raízes ali se tornaram mais profundas do que as de muitos que nasceram dentro daquele clã.

O som do sino de bronze rompeu o silêncio com uma lentidão quase ritualística, pesado e definitivo, reverberando nas pedras, nos corpos e, principalmente, na mente, como se cada badalada estivesse selando mais um fragmento do destino que eu jamais escolhi.

O general ergueu os olhos em direção às urnas e declarou, com a mesma autoridade imutável, que aquela linhagem jamais deveria ser apagada, e que a herdeira deveria ser protegida, custasse o que custasse.

A escolha de palavras não passou despercebida.

Porque enquanto todos ao redor assentiam em aceitação silenciosa, curvando a cabeça em respeito e submissão àquela ordem, eu permanecia imóvel, não por discordar, mas porque compreendia algo que não precisava ser dito.

Eu já era o custo.

Se Kenshi exigisse sangue, era o meu que corria.

Se precisasse de silêncio, era em mim que os segredos eram enterrados.

Se quisesse vingança, era o meu nome que surgia nos sussurros.

O Ceifador.

Um título que não me foi dado gratuitamente, mas conquistado a cada corpo deixado para trás, a cada missão cumprida sem hesitação, a cada parte de mim que precisei abandonar para me tornar aquilo que esperavam.

Por isso, quando se falou em proteger a herdeira, ninguém precisou olhar na minha direção, porque todos sabiam exatamente qual seria o preço daquela promessa.

Foi então que algo mudou.

Não de forma brusca, mas sutil o suficiente para ser percebido apenas por quem estava acostumado a sobreviver em silêncio, como se o próprio ar tivesse se deslocado, como se uma linha invisível tivesse sido puxada dentro daquele espaço.

E então vieram os passos. Leves, controlados, determinados de uma forma que não combinava com alguém tão pequeno.

Eu não precisei olhar.

Eu já sabia.

Yuna.

A última Takayama.

Ela surgiu do fundo do templo, onde antes permanecia ajoelhada sobre um tatame branco, e caminhava agora com uma calma que não era natural para uma criança, vestida em um quimono branco que parecia grande demais para seu corpo, com as mangas longas quase tocando o chão, criando a imagem de algo puro demais atravessando um ambiente que jamais permitiria pureza.

Seus cabelos negros caíam pelos ombros como tinta viva, adornados com pequenas flores delicadas, e seus olhos — azuis — carregavam uma estranheza que não pertencia àquele clã, uma herança silenciosa de escolhas que nunca deveriam ter sido feitas.

Ainda assim, havia algo mais profundo ali.

Algo antigo.

Algo consciente demais.

Ela caminhou pelo corredor de pedras sem hesitar, ignorando os olhares que a seguiam, sem buscar aprovação, sem demonstrar medo, como se já tivesse aceitado tudo aquilo que ninguém deveria aceitar.

Eu permaneci imóvel.

Um Ceifador não recua. Mas quando seus dedos tocaram o tecido escuro da minha roupa, algo dentro de mim se quebrou de uma forma inesperada.

Não foi dor.

Não foi medo.

Foi algo muito pior.

Foi vida.

Ela ergueu uma pequena flor branca em minha direção, e quando nossos olhares se encontraram, senti pela primeira vez em muito tempo algo que não sabia nomear.

— Para quando o silêncio ficar pesado — disse ela, com uma voz suave que contrastava de forma quase cruel com o peso que carregava.

Na outra mão, ela revelou um doce de arroz.

— E isso… para quando o coração doer.

Por um breve instante, minha estrutura interna falhou, porque eu deveria permanecer distante, intocável, inabalável, mas aquela pequena rachadura que surgiu foi suficiente para se tornar perigosa.

E então, contra tudo o que eu havia sido treinado para ser, eu me ajoelhei.

Os murmúrios ao redor foram contidos, não por respeito, mas por incredulidade, porque aquela não era uma cena que deveria existir.

O Ceifador não se curva.

Mas ali estava eu diante dela. Não como guarda, nem como subordinado. Mas como algo que ainda não tinha nome.

Peguei a flor primeiro, depois o doce, com um cuidado que jamais tive ao empunhar uma arma, enquanto ela me observava com uma serenidade que não era inocência, mas aceitação.

— Eu sei quem você é — ela disse.

Minha resposta saiu baixa, áspera, carregada de tudo o que eu era.

— Sabe?

Ela sorriu de forma triste, como alguém que já havia entendido demais.

— Mamãe dizia que quando o mundo ficasse escuro… o Ceifador viria nos proteger.

Naquele momento, compreendi que Hanna sempre soube o que Kenshi havia criado em mim, e ainda assim, decidiu confiar.

E antes que qualquer pensamento pudesse me impedir, Yuna deu um passo à frente e me abraçou.

Pequena, frágil, viva.

E eu, que fui treinado para destruir, simplesmente aceitei.

Minhas mãos repousaram nas costas dela de um jeito que nunca haviam repousado em ninguém, firmes, protetoras, quase gentis, como se algo dentro de mim tivesse sido despertado sem permissão.

— Eu não quero ficar sozinha… — ela sussurrou.

Aquelas palavras não foram um pedido.

Foram uma marca.

Eu fechei os olhos, plenamente consciente de que promessas naquele lugar não eram feitas com palavras, mas com sangue.

E, ainda assim, respondi:

— Você não vai ficar.

Não era consolo.

Era um vínculo.

Ela se afastou devagar, e antes de dar mais alguns passos, voltou a me olhar.

— Posso te chamar de anjo?

Por um instante, quase me permiti sentir algo que não cabia em mim. Mas apenas respondi:

— Pode… princesa.

Ela sorriu e se afastou, enquanto eu permanecia de joelhos, segurando uma flor em uma mão e algo muito mais perigoso na outra.

Foi naquele instante que compreendi, com uma clareza brutal, que eu havia sido criado para servir, para matar e para obedecer sem questionar, moldado para ser lâmina quando necessário e sombra quando conveniente.

Mas, a partir daquele momento… viver passou a ter um nome.

Yuna.

E junto com essa verdade veio outra, ainda mais cruel.

O amor que nasce em um funeral não é uma bênção. É uma sentença.

Porque um dia, para cumprir a promessa feita ali, eu teria que quebrar tudo o que fui ensinado a proteger, tudo o que me construiu, tudo o que me define.

E quando esse dia chegasse… eu não estaria em guerra com o mundo.

Estaria em guerra comigo mesmo.

“

Continue Lendo

Sempre foi Você de Conteúdos

Ch. 1 Ch. 2 Ch. 3
Ch. 4
Ch. 5
Ch. 6
Ch. 7
Ch. 8
Ch. 9
Ch. 10
Ch. 11
all

Você pode gostar

Romances Recém-Lançados

Capa do romance A Vingança Bilionária da Noiva Abandonada
7.9
Traída por Breno e sua prima Janine, dediquei minha vida anterior a erguer o império dele apenas para ser descartada e humilhada. Após um acidente quase fatal, despertei no passado com lembranças vívidas da crueldade e do caso extraconjugal deles. Determinada a não ser mais uma ferramenta de Breno, decidi mudar meu destino drasticamente. Em plena festa de gala, rejeitei o noivo ingrato e anunciei meu casamento com seu poderoso e recluso tio, Gael.
Capa do romance Acordei casada?!
8.2
Diferente de uniões planejadas, Julia Harrison e Jason Haward despertam um dia como casados, sem qualquer lembrança de terem dito sim. O choque de acordar ao lado de um estranho legalmente unido a si dá início a uma jornada intensa. Ao investigarem a origem desse vínculo súbito, os dois mergulham em um mistério profundo, descobrindo que suas realidades eram baseadas em mentiras. Entre traições e sede de vingança, eles precisam encarar a verdade por trás da ilusão.
Capa do romance Prisão do Amor, Afogado em Falsidade
8.1
Após cinco anos presa para proteger Arthur, saio da cadeia e descubro que ele se casou com uma sósia minha. Ele afirma que ainda sou sua esposa, mas me deixou para morrer no mar ao priorizar Evelyn. Agora, sou forçada a servir a mulher que roubou meu lugar, sofrendo abusos sob o olhar cruel de quem amei. Arthur me destrói por uma família que acredita ser sua, mas um laudo médico revela a verdade: ele é estéril e o filho dela é fruto de uma traição.
Capa do romance Sua Esposa Indesejada, A Advogada Imbatível
9.7
Durante três anos, fui a esposa ideal de Ricardo, um líder da máfia, mantendo sua honra e negociando com assassinos. Tudo ruiu no Massacre da Mooca, onde ele me abandonou para morrer enquanto salvava sua amante, Bianca. Agora, um memorando falso o trata como herói, mas eu possuo a prova de sua covardia. Não busco apenas o divórcio; com uma gravação comprometedora, pretendo destruir seu império perante o Conselho da Família e reduzir seu mundo a cinzas.
Capa do romance Tarde demais, Senhor Don: A esposa que você enterrou
9.2
Alina Vitale descobriu que Dante se divorciou dela em segredo há três anos para elevar sua amante e o filho dela. Após ser queimada pela criança e usada como escudo humano pelo marido em um atentado, ela percebe que sua devoção foi em vão. Alina forja a própria morte em um acidente aéreo, deixando Dante em desespero ao descobrir a verdade. Agora, longe da máfia, a esposa submissa morre para que uma mulher implacável e em busca de vingança possa surgir.
Capa do romance Voltei do Inferno Para Te Enterrar
8.1
Após morrer abandonada em uma mesa de cirurgia por Escudo e sua amante, Brasa, a protagonista desperta milagrosamente no passado. Traída após anos de devoção e vendo sua herança arruinada, ela agora renasce sedenta por vingança. Deixando para trás a esposa frágil que foi um dia, ela usará sua fortuna e conhecimento do futuro para destruir aqueles que a humilharam. O jogo virou: a antiga vítima agora é a carrasca impiedosa pronta para enterrar seus traidores.
Capítulos
Leia agora
Compartilhar