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Capa do romance Quando o Amor Morre no Asfalto

Quando o Amor Morre no Asfalto

Grávida e ferida após um acidente, Sofia viu o marido, Miguel, priorizar a irmã em vez de salvá-la. A negligência custou a vida do bebê e revelou uma teia de mentiras. Entre desvios financeiros para a cunhada e o silêncio cruel de Miguel diante das ofensas da sogra, Sofia desperta do luto para a fúria. Decidida a se libertar desse laço doentio, ela busca justiça contra a traição e a fraude de quem jurou protegê-la. A guerra pelo seu futuro e dignidade apenas começou.
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Capítulo 2

O som de metal a rasgar foi a última coisa que ouvi antes de o mundo se virar ao contrário. O cinto de segurança prendeu-me ao assento, mas a minha cabeça bateu com força no vidro da janela. O carro parou de capotar, ficando de lado.

Chovia. A água escorria pelo para-brisas partido, misturando-se com o fumo que saía do capô.

Ao meu lado, a minha cunhada, Clara, gemia.

"O meu braço," ela choramingou, "acho que o parti."

Tentei mexer-me, uma dor aguda atravessou-me o abdómen. A minha mão foi instintivamente para a minha barriga de sete meses.

"Estás bem, bebé?", sussurrei.

O pânico começou a instalar-se. O meu telemóvel tinha voado para algum lado no meio do caos.

"Clara, o teu telemóvel. Liga ao Miguel," consegui dizer, a minha voz rouca.

Ela encontrou o telemóvel dela, os dedos a tremer enquanto marcava o número do irmão, o meu marido. Ouvi a voz dele, ansiosa, do outro lado da linha. Clara começou a chorar histericamente.

"Miguel! Tivemos um acidente! O meu braço, dói tanto! Vem depressa!"

Ela não mencionou que eu estava no carro. Não mencionou a minha gravidez.

Desliguei-me dos seus soluços, concentrando-me na pequena vida dentro de mim. O tempo arrastava-se. Cada segundo parecia uma hora. Finalmente, ouvi o som de pneus a derrapar na estrada molhada.

As luzes de um carro iluminaram o nosso veículo destruído. A porta do condutor abriu-se e o Miguel correu na nossa direção, o rosto uma máscara de pânico sob a chuva.

Os olhos dele encontraram os meus por um segundo, presos no lado do passageiro. Depois, desviaram-se para a Clara, que gritava o nome dele.

Ele correu para o lado dela, o lado que estava virado para cima.

"Clara! Meu Deus, estás bem? O que aconteceu?"

Ele tentava forçar a porta dela, puxando o metal torto com toda a sua força.

"Miguel," chamei, a minha voz fraca. "A minha barriga... dói."

Ele olhou para mim de relance, a irritação a passar-lhe pelo rosto.

"Espera, Sofia! Não vês que a tua cunhada está ferida? Estou a tentar tirá-la daqui!"

Naquele momento, o mundo ficou em silêncio. A chuva, os gemidos da Clara, o som do coração dele a bater nos meus ouvidos, tudo desapareceu. A única coisa que existia era a dor lancinante no meu ventre e a frieza das palavras dele.

Ele escolheu. E não fui eu.

Senti algo quente a escorrer pelas minhas pernas. Olhei para baixo. Sangue.

"Miguel," gritei, desta vez com a força do desespero. "O bebé!"

Ele finalmente conseguiu abrir a porta da Clara e estava a ajudá-la a sair. Ele olhou para mim, viu o sangue, e o rosto dele ficou pálido. Mas não me largou a Clara. Continuou a ampará-la, a afastá-la dos destroços.

A última coisa que vi antes de a escuridão me engolir foi ele a abraçar a irmã, a sussurrar-lhe palavras de conforto, enquanto eu sangrava sozinha no carro destruído.